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On this day in History – Dec. 01 Novembro 30, 2004

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 11:28 pm
  • 1135 – Henrique I de Inglaterra, died
  • 1521 – Pope Leo X died, [born in Florence 1475]
  • 1640 – Restauração da Independencia de Portugal em relação a Espanha; João, Duque de Bragança torna-se rei como João IV de Portugal . ( Portugal regains its independence from Spain and John IV of Portugal becomes king).
  • 1822 -Pedro I é coroado imperador do Brasil (Peter I is crowned as Emperor of Brazil)
  • 1824- The presidential election between John Q. Adams, Andrew Jackson, William Crawford, and Henry Clay was turned over to the House of Representatives due to the lack of an electoral-vote majority.
  • 1825 – Czar Alexander I Russia died (n. 1777)
  • 1887 – Sir Arthur Conan Doyle’s Sherlock Holmes appeared for the first time in print in the story “A Study in Scarlet.”
  • 1912 – Minoru Yamasaki, born , american architect (d. 1990)
  • 1918 – Iceland becomes a self-governing kingdom, yet remains united with Denmark.
  • 1928 – José Eustasio Rivera, Colombian writer died (b. 1888)
  • 1934 – Benny Goodman debuts on radioJazz clarinet pioneer Benny Goodman debuts as a regular on radio variety show Let’s Dance. Goodman, who was white, became one of the first bandleaders to use both black and white musicians.
  • 1934, Sergei M. Kirov, a member of Politburo, was assassinated in Leningrad, by Leonid Nikolayev resulting in a massive purge. (It is widely thought that Soviet leader Joseph Stalin ordered this murder).
  • 1935 – Woody Allen born , american film director, actor, comedian
  • 1943 – President Roosevelt, British Prime Minister Winston Churchill and Soviet leader Josef Stalin concluded their Tehran conference.
  • 1945 – Bette Midler, born, Actress-singer
  • 1948 – George Foster, born , baseball star
  • 1954 – Ernest Hemingway is Literature Nobel Prize
  • 1955 – Rosa Parks ignites bus boycott. In Montgomery, Alabama, Rosa Parks is jailed for refusing to give up her seat on a public bus to a white man, a violation of the city’s racial segregation laws. The successful Montgomery Bus Boycott, organized by a young Baptist minister named Martin Luther King, Jr., followed Park’s historic act of civil disobedience. Read the case in historychannel
  • 1958 – Central African Republic becomes independent from France.
  • 1959- Twelve nations, including the United States, signed in Washington DC a treaty setting aside Antarctica as a scientific preserve free from military activity.
  • 1973 – David Ben-Gurion, Israel’s first prime minister, died in Tel Aviv at age 87.
  • 1974 – A Boeing 727 carrying TWA Flight 514 crashes 25 miles (40 km) northwest of Dulles International Airport during bad weather, killing all 92 people on-board.
  • 1974 – Costinha, born, portuguese football player of FC Porto
  • 1981 – A Yugoslavian DC-9 crashes into a mountain while approaching Ajaccio Airport in Corsica killing 178.
  • 1986 -The President of the Republic, François Mitterrand, inaugurated the new Musée d’Orsay in Paris and it opened to the public on December 9th.
  • 1990 – Channel Tunnel workers from the United Kingdom and France meet 40 meters beneath the English Channel seabed, establishing the first ground connection between the island of Great Britain and the mainland of Europe since the last ice age.
  • 1997 – Representatives from more than 150 countries gathered at a global warming summit in Kyoto, Japan, and over the course of ten days forged an agreement to control the emission of greenhouse gases. President Bush pulled the U.S. out of the Kyoto Protocol in 2001.
  • Dia Mundial de Luta Contra a Sida (World AIDS Day)
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Odes – Ricardo Reis

Filed under: Fernando Pessoa,poesia,Ricardo Reis — looking4good @ 1:31 pm

Não Sei se é Amor que Tens

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?

__________________

Prefiro Rosas

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

____________________

Vem sentar-te comigo Lídia…

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento –
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadencia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçámos as mãos, nem nos beijámos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço

Ricardo Reis, um dos heterónimos de
Fernando Pessoa

 

Lycanthropy

Filed under: Fernando Pessoa — looking4good @ 11:58 am

There is a lonely lake

Moonlit for me and you

And like none for our sake.

There the dark white sail spread

To a vague wind unfelt

Shall make our sleep-life led

Towards where the waters melt

Into the black-tree’d shore,

Where the unknown woods meet

The lake’s wish to be more,

And make the dream complete.

There we will hide and fade

Empty moon-bound all,

Feeling that what we are made

Was something musical.

Fernando Pessoa

 

Cruz na porta da tabacaria… – Álvaro de Campos

Filed under: Fernando Pessoa — looking4good @ 11:37 am

Cruz na porta da tabacaria!
Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem-‘star que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.

Quem era? Ora, era quem eu via.
Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.

Ele era o dono da tabacaria.
Um ponto de referência de quem sou.
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.

Meu coração tem pouca alegria,
E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.

Mas ao menos a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria:
Desde ontem a cidade mudou.

Álvaro de Campos

 

O guardador de rebanhos – XXI

Filed under: Fernando Pessoa — looking4good @ 11:17 am

Se eu pudesse trincar a terra toda

E sentir-lhe um paladar,

Seria mais feliz um momento…

Mas eu nem sempre quero ser feliz.

É preciso ser de vez em quando infeliz

Para se poder ser natural…

Nem tudo é dias de sol,

E a chuva, quando falta muito, pede-se.

Por isso tomo a infelicidade com a felicidade

Naturalmente, como quem não estranha

Que haja montanhas e planícies

E que haja rochedos e erva…

O que é preciso é ser-se natural e calmo

Na felicidade ou na infelicidade,

Sentir como quem olha,

Pensar como quem anda,

E quando se vai morrer,

lembrar-se de que o dia morre,

E que o poente é belo e é bela a noite que fica

E que se assim é, é porque é assim*.

[07-03-1914

*var. Assim é, por isso assim seja…



Poema XXI de O Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa


 

Livro do desassossego – Bernardo Soares

Filed under: Fernando Pessoa — looking4good @ 11:12 am
Tenho que escolher o que detesto – ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a acção, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.

Resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei-de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.

(Fragmento 2)

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Penso às vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me «compreenda», os meus, a família verdadeira para nela nascer e ser amado. Mas, longe de eu nela ir nascer, eu terei já morrido há muito. Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, quando vivo.

Um dia talvez compreendam que cumpri, como nenhum outro, o meu dever-nato de intérprete de uma parte do nosso século; e, quando o compreendam, hão-de escrever que na minha época fui incompreendido, que infelizmente vivi entre desafeições e friezas, e que é pena que tal me acontecesse. E o que escrever isto será, na época em que o escrever, incompreendedor, como os que me cercam, do meu análogo daquele tempo futuro. Porque os homens só aprendem para uso dos seus bisavós, que já morreram. Só aos mortos sabemos ensinar as verdadeiras regras de viver.

Na tarde em que escrevo, o dia de chuva parou. Uma alegria do ar é fresca de mais contra a pele. O dia vai acabando não em cinzento, mas em azul-pálido. Um azul vago reflecte-se, mesmo, nas pedras das ruas. Dói viver, mas é de longe. Sentir não importa. Acende-se uma ou outra montra.

Em uma outra janela alta há gente que vê acabarem o trabalho. O mendigo que roça por mim pasmaria, se me conhecesse.

No azul menos pálido e menos azul, que se espelha nos prédios, entardece um pouco mais a hora indefinida.

Cai leve, fim do dia certo, em que os que crêem e erram se engrenam no trabalho do costume, e têm, na sua própria dor, a felicidade da inconsciência. Cai leve, onda de luz que cessa, melancolia da tarde inútil, bruma sem névoa que entra no meu coração. Cai leve, suave, indefinida palidez lúcida e azul da tarde aquática – leve, suave, triste sobre a terra simples e fria. Cai leve, cinza invisível, monotonia magoada, tédio sem torpor.

(Fragmento 191)

O Livro do Desassossego

Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa



Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, ed. Richard Zenith. Linda-a-Velha, Abril Controljornal, 2000.

 

Aniversário da morte de Fernando Pessoa

Filed under: Fernando Pessoa — looking4good @ 1:58 am
Faz hoje 69 anos que Fernando Pessoa faleceu em Lisboa. Em homenagem à sua obra imortal, dá-se destaque hoje neste blog a esta efeméride transcrevendo alguns excertos da sua enorme obra que o coloca no top da literatura portuguesa de todos os tempos. Obrigado! Para além das “entradas” que serão colocadas hoje a este propósito, encontra também já publicados neste blog:

Tabacaria

Todas as cartas de amor são…

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir…

Sou vil, sou reles, como toda a gente…