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ADEUS – João de Deus, na passagem do 179º aniversário Março 8, 2009

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 3:13 am

A ti que em astros desenhei nos céus,
A ti que em nuvens desenhei nos ares,
A ti que em ondas desenhei nos mares,
A ti, bom anjo, o derradeiro adeus!

Parto! Se um dia (que é possivel flôr!)
Vires ao longe negrejar um vulto,
Sou eu que aos olhos d'esta gente oculto
O nosso imenso desgraçado amor.

Talvez as feras ao ouvir meus ais,
As brutas selvas, as montanhas brutas,
Côncavas rochas, solitárias grutas,
Mais se condoam, se comovam mais!

E lá daquelas solidões se aqui
Chegar gemido que uma pedra estale,
Que um cedro vibre, que um carvalho abale,
Sou eu que o solto por amor de ti...

De ti, que em folha que varrer o ar,
Em rama, em sombra que bandeie a aragem,
De fito sempre nessa cara imagem
Verei, sorrindo, sentirei passar!

De ti que em astros desenhei nos céus!
De ti que em nuvens desenhei nos ares!
De ti que em ondas desenhei nos mares,
E a quem envio o derradeiro adeus!

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

João de Deus de Nogueira Ramos (João de Deus), nascido em 8 de Março de 1830 em São Bartolomeu de Messines (Silves) e falecido em Lisboa em 11 de Janeiro de 1896.

Ler do mesmo autor:
De Dia a Estrela de Alva Empalidece
A Cigarra e a Formiga
A vida
Agora

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ADEUS – João de Deus, na passagem do 179º aniversário

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 3:13 am

A ti que em astros desenhei nos céus,
A ti que em nuvens desenhei nos ares,
A ti que em ondas desenhei nos mares,
A ti, bom anjo, o derradeiro adeus!

Parto! Se um dia (que é possivel flôr!)
Vires ao longe negrejar um vulto,
Sou eu que aos olhos d'esta gente oculto
O nosso imenso desgraçado amor.

Talvez as feras ao ouvir meus ais,
As brutas selvas, as montanhas brutas,
Côncavas rochas, solitárias grutas,
Mais se condoam, se comovam mais!

E lá daquelas solidões se aqui
Chegar gemido que uma pedra estale,
Que um cedro vibre, que um carvalho abale,
Sou eu que o solto por amor de ti...

De ti, que em folha que varrer o ar,
Em rama, em sombra que bandeie a aragem,
De fito sempre nessa cara imagem
Verei, sorrindo, sentirei passar!

De ti que em astros desenhei nos céus!
De ti que em nuvens desenhei nos ares!
De ti que em ondas desenhei nos mares,
E a quem envio o derradeiro adeus!

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

João de Deus de Nogueira Ramos (João de Deus), nascido em 8 de Março de 1830 em São Bartolomeu de Messines (Silves) e falecido em Lisboa em 11 de Janeiro de 1896.

Ler do mesmo autor:
De Dia a Estrela de Alva Empalidece
A Cigarra e a Formiga
A vida
Agora

 

De dia a estrela de alva empalidece… – João de Deus Março 8, 2008

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 7:47 pm
De dia a estrela de alva empalidece,
e a luz do dia eterno te há ferido!
Em teu lânguido olhar adormecido,
nunca me um dia em vida amanhecesse!

Foste a concha da praia! A flor parece
mais ditosa que tu! Quem te há partido,
meu cálice de cristal onde hei bebido
os néctares do Céu…se um Céu houvesse!

Fonte pura das lágrimas que choro,
quem tão menina e moça desmanchado
te há pelas nuvens os cabelos de ouro!

Some-te, vela de baixel quebrado!
Some-te, voa, apaga-te, meteoro!
É só mais neste mundo um desgraçado!

JOÃO DE DEUS de Nogueira Ramos nasceu em São Bartolomeu de Messines (Algarve) a 8 de Março de 1830 e morreu em Lisboa a 11 de Janeiro de 1896. De 1849 a 1859, levou uma vida de boémio em Coimbra, até concluir o seu bacharelato em Leis. Paradoxalmente sensual e platónico, a sua poesia foi anti-ultra-romântica. Simultaneamente pedagogo e poeta, publicou a «Cartilha Maternal» (1876) e o «Campo de Flores» (1893). Em 8 de Março de 1895, foi alvo de uma manifestação apoteótica dos estudantes de todo o País e, quando faleceu, teve funerais nacionais.

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004).

 

Agora! – João de Deus Janeiro 11, 2008

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 8:53 pm
Beautiful face

A luz que dá o teu rosto
É a luz da madrugada,
Mas vi-a quase ao sol posto
De uma vida amargurada…
Tão tarde vi o teu rosto!

Oh! Se na manhã da vida
Me raia logo essa aurora,
Quando folha e flor caída
me embelezara inda agora
O triste arbusto da vida!

Mas andei sempre às escuras…
Por onde nem se lobriga
Luz de estrelas nas alturas,
Quanto mais em face amiga…
Eu andei sempre às escuras!

E agora vendo a beleza
Dessa luz que me alumia,
Não sei se minha tristeza
É mais do que a minha alegria…
Vendo agora essa beleza!

João de Deus Ramos (n. em S. Bartolomeu de Messines a 8 Mar 1830; m. em Lisboa a 11 Jan. 1896).

Recomandamos do mesmo autor:
A Cigarra e a Formiga
A vida

 

Agora! – João de Deus

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 8:53 pm
Beautiful face

A luz que dá o teu rosto
É a luz da madrugada,
Mas vi-a quase ao sol posto
De uma vida amargurada…
Tão tarde vi o teu rosto!

Oh! Se na manhã da vida
Me raia logo essa aurora,
Quando folha e flor caída
me embelezara inda agora
O triste arbusto da vida!

Mas andei sempre às escuras…
Por onde nem se lobriga
Luz de estrelas nas alturas,
Quanto mais em face amiga…
Eu andei sempre às escuras!

E agora vendo a beleza
Dessa luz que me alumia,
Não sei se minha tristeza
É mais do que a minha alegria…
Vendo agora essa beleza!

João de Deus Ramos (n. em S. Bartolomeu de Messines a 8 Mar 1830; m. em Lisboa a 11 Jan. 1896).

Recomandamos do mesmo autor:
A Cigarra e a Formiga
A vida

 

Agora! – João de Deus

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 8:53 pm
Beautiful face

A luz que dá o teu rosto
É a luz da madrugada,
Mas vi-a quase ao sol posto
De uma vida amargurada…
Tão tarde vi o teu rosto!

Oh! Se na manhã da vida
Me raia logo essa aurora,
Quando folha e flor caída
me embelezara inda agora
O triste arbusto da vida!

Mas andei sempre às escuras…
Por onde nem se lobriga
Luz de estrelas nas alturas,
Quanto mais em face amiga…
Eu andei sempre às escuras!

E agora vendo a beleza
Dessa luz que me alumia,
Não sei se minha tristeza
É mais do que a minha alegria…
Vendo agora essa beleza!

João de Deus Ramos (n. em S. Bartolomeu de Messines a 8 Mar 1830; m. em Lisboa a 11 Jan. 1896).

Recomandamos do mesmo autor:
A Cigarra e a Formiga
A vida

 

Agora! – João de Deus

Filed under: João de Deus,poesia — looking4good @ 8:53 pm
Beautiful face

A luz que dá o teu rosto
É a luz da madrugada,
Mas vi-a quase ao sol posto
De uma vida amargurada…
Tão tarde vi o teu rosto!

Oh! Se na manhã da vida
Me raia logo essa aurora,
Quando folha e flor caída
me embelezara inda agora
O triste arbusto da vida!

Mas andei sempre às escuras…
Por onde nem se lobriga
Luz de estrelas nas alturas,
Quanto mais em face amiga…
Eu andei sempre às escuras!

E agora vendo a beleza
Dessa luz que me alumia,
Não sei se minha tristeza
É mais do que a minha alegria…
Vendo agora essa beleza!

João de Deus Ramos (n. em S. Bartolomeu de Messines a 8 Mar 1830; m. em Lisboa a 11 Jan. 1896).

Recomandamos do mesmo autor:
A Cigarra e a Formiga
A vida