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DESINFERNO II – Luíza Neto Jorge na passagem do 70º aniversário Maio 10, 2009

Filed under: Luíza Neto Jorge,poesia — looking4good @ 2:24 am

Caísse a montanha e do oiro o brilho
O meigo jardim abolisse a flor
A mãe desmoesse as carnes do filho
Por botão de vídeo se fizesse amor

O livro morresse, a obra parasse
Soasse a granizo o que era alegria
A porta do ar se calafetasse
Que eu de amor apenas ressuscitaria

Maria Luíza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema extraído de Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Organização e Prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

Nota biobliográfica extraída de A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler da mesma autora, neste blog:
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia
Ritual

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Ritual de Luíza Neto Jorge (que faleceu há 20 anos) Fevereiro 23, 2009

Filed under: Luíza Neto Jorge,poesia — looking4good @ 1:25 am

a jarra tombou
a água correu sobre a mesa

as flores calaram-se aos poucos
o espantalho tocou o acordeão

a criança cansou-se do vento
desatou as sandálias

o mar meditou duas vezes
qual o horizonte

do sótão a galinha presa
viu um avião voar

uns quantos vestiram-se de negro
viveram da morte dos outros

suicidou-se uma sombra
debaixo do meu pé

a mulher vestiu-se de branco
para a Ressurreição

o país desbotou
no mapa das escolas

amor que esperas de mim
a não ser eu

in Antologa da Poesia Portuuguesa Contemporânea, Um panorama Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno, Lacerda Editores

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 de Maio de 1939; m. em Lisboa a 23 Fev. 1989).

Ler da mesma autora, neste blog:
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia

 

Ritual de Luíza Neto Jorge (que faleceu há 20 anos)

Filed under: Luíza Neto Jorge,poesia — looking4good @ 1:25 am

a jarra tombou
a água correu sobre a mesa

as flores calaram-se aos poucos
o espantalho tocou o acordeão

a criança cansou-se do vento
desatou as sandálias

o mar meditou duas vezes
qual o horizonte

do sótão a galinha presa
viu um avião voar

uns quantos vestiram-se de negro
viveram da morte dos outros

suicidou-se uma sombra
debaixo do meu pé

a mulher vestiu-se de branco
para a Ressurreição

o país desbotou
no mapa das escolas

amor que esperas de mim
a não ser eu

in Antologa da Poesia Portuuguesa Contemporânea, Um panorama Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno, Lacerda Editores

Maria Luiza Neto Jorge (n. em Lisboa a 10 de Maio de 1939; m. em Lisboa a 23 Fev. 1989).

Ler da mesma autora, neste blog:
Minibiografia
As casas vieram de noite
O poema ensina a cair
Magnólia

 

Minibiografia – Luíza Neto Jorge Maio 10, 2008

Filed under: Luíza Neto Jorge,poesia — looking4good @ 2:09 am
Mulher ao espelho foto daqui

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda

E se nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Maria Luíza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Minibiografia – Luíza Neto Jorge

Filed under: Luíza Neto Jorge,poesia — looking4good @ 2:09 am
Mulher ao espelho foto daqui

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda

E se nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Maria Luíza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Minibiografia – Luíza Neto Jorge

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Mulher ao espelho foto daqui

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda

E se nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Maria Luíza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

Minibiografia – Luíza Neto Jorge

Filed under: Luíza Neto Jorge,poesia — looking4good @ 2:09 am
Mulher ao espelho foto daqui

Não me quero com o tempo nem com a moda
Olho como um deus para tudo de alto
Mas zás! do motor corpo o mau ressalto
Me faz a todo o passo errar a coda.

Porque envelheço, adoeço, esqueço
Quanto a vida é gesto e amor é foda;
Diferente me concebo e só do avesso
O formato mulher se me acomoda

E se nave vier do fundo espaço
Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo:
Logo me leve, subirei sem medo
À cena do mais árduo e do mais escasso.

Um poema deixo, ao retardador:
Meia palavra a bom entendedor.

Maria Luíza Neto Jorge nasceu a 10 de Maio de 1939 em Lisboa, onde faleceu a 23 de Fevereiro de 1989. Frequentou Filologia Românica na Faculdade de Letras da sua cidade natal, mas não concluiu o curso. Pertenceu ao grupo Poesia ‘61 e viveu em Paris de 1962 a 1970. A sua poesia é tendencialmente surrealista: «Noite Vertebrada» (1960), «4.ª Dimensão» (1961), «Terra Imóvel» (1964), «O Seu a Seu Tempo» (1966), «19 Recantos» (1969), «O Ciclópico Acto» (1972), «Os Sítios Sitiados» (1973), «Onze Poemas» (1983), «A Lume» (1989) e, postumamente, «Poesia 1960/89» (1993). Adaptou para o teatro «O Fatalista» de Diderot e escreveu os diálogos dos filmes «Brandos Costumes» de Seixas Santos e «A Ilha dos Amores» de Paulo Rocha. Distinguiu-se também como tradutora literária.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.