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Flor Silvestre – Batista de Cepelos Maio 8, 2009

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 1:20 am

Pobre de quem? Pobre de ti, não dela:
Para que seja cobiçada e rica,
De nada mais precisa, além daquela
Inocência do céu, que a santifica…

Não tem brasões de nascimento. É bela,
De uma beleza que tão bem lhe fica!
E, sertaneja rústica e singela,
Vive junto dos pais, terna e pudica.

Passarinha entre as aves, e, travessa,
Parece uma visão da Primavera,
Quando envolve de flores a cabeça!

E, as suas mãos, que nada têm de rudes,
São as chavinhas de ouro (quem mas dera!)
De um coração repleto de virtudes!

Manuel Batista Cepelos (Cotia, São Paulo, em 10 de Dezembro de 1872 — m. Rio de Janeiro, 8 de maio de 1915)

Ler do mesmo autor, neste blog: Resignação; À Espera; A Um Sonetista; Nas Ondas de Uns Cabelos

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Resignação – Batista Cepelos Dezembro 10, 2008

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 1:00 am
Return of Spring 1886 ( imagem daqui)
William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

Este Anjo do Infortúnio, que me guia
Desde o primeiro albor da tenra idade,
E os lírios roxos da melancolia
Desfolha sobre a minha mocidade…

Este, que me acompanha e me vigia,
Sorrindo-me um sorriso de bondade,
E, na dor, que é o meu pão de cada dia,
Me fortalece contra a iniquidade…

Este, bendito seja, enquanto eu vivo,
A debater-me em trevas horrorosas,
Como um ansioso pássaro cativo!

E que, sobre o meu túmulo, tristonho,
Distenda as asas misericordiosas,
Quando eu sonhar aquele Grande Sonho…

Manuel Batista Cepelos (Cotia, São Paulo, em 10 de Dezembro de 1872 — Rio de Janeiro, 8 de maio de 1915)

Ler do mesmo autor, neste blog, À Espera

 

À Espera – Batista Cepelos Maio 8, 2008

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 1:18 am
photo: Waiting at the pier – Stephen Rosenfeld

Com sua voz assustadinha e doce,
doce como um trinar de passarinho,
ela me disse que esperá-la fosse,
fosse esperá-la à beira do caminho.

Mas o tempo da espera prolongou-se,
prolongou-se demais! E, então, sozinho,
passei o dia. Veio a tarde e trouxe,
trouxe arrulhos de amor, de ninho em ninho.

Desespero. O silêncio me tortura.
Mas, de repente, alvoroçado, escuto
um farfalhar de folhas na espessura.

Ela chega e tão linda, de maneira
que só para gozar este minuto
eu a esperaria a minha vida inteira.

Manuel Batista Cepelos nasceu em Cotia (SP) a 10 de Dezembro de 1872 e morreu no Rio de Janeiro a 8 de Maio de 1915. Alistou-se no Corpo Policial Permanente de São Paulo e foi promovido a alferes em 1891, ano em que a corporação foi extinta, ingressando no Exército como tenente e tomando parte na campanha do Paraná, em 1894. Promovido a capitão no ano seguinte, participou na campanha de Canudos (BA), em 1896. Concluída a formatura pela faculdade de Direito (SP) em 1902, obteve a reforma militar, tentando a advocacia e a magistratura e chegando a promotor de Justiça. Jornalista e poeta simbolista, se a sua vida fora ensombrada por uma tragédia (a sua noiva foi assassinada pelo próprio pai, que de seguida se suicidou), rematou com outra: encontrado morto numa pedreira do Rio, nunca se conseguiu apurar a causa da morte (suicídio ou crime?).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

À Espera – Batista Cepelos

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 1:18 am
photo: Waiting at the pier – Stephen Rosenfeld

Com sua voz assustadinha e doce,
doce como um trinar de passarinho,
ela me disse que esperá-la fosse,
fosse esperá-la à beira do caminho.

Mas o tempo da espera prolongou-se,
prolongou-se demais! E, então, sozinho,
passei o dia. Veio a tarde e trouxe,
trouxe arrulhos de amor, de ninho em ninho.

Desespero. O silêncio me tortura.
Mas, de repente, alvoroçado, escuto
um farfalhar de folhas na espessura.

Ela chega e tão linda, de maneira
que só para gozar este minuto
eu a esperaria a minha vida inteira.

Manuel Batista Cepelos nasceu em Cotia (SP) a 10 de Dezembro de 1872 e morreu no Rio de Janeiro a 8 de Maio de 1915. Alistou-se no Corpo Policial Permanente de São Paulo e foi promovido a alferes em 1891, ano em que a corporação foi extinta, ingressando no Exército como tenente e tomando parte na campanha do Paraná, em 1894. Promovido a capitão no ano seguinte, participou na campanha de Canudos (BA), em 1896. Concluída a formatura pela faculdade de Direito (SP) em 1902, obteve a reforma militar, tentando a advocacia e a magistratura e chegando a promotor de Justiça. Jornalista e poeta simbolista, se a sua vida fora ensombrada por uma tragédia (a sua noiva foi assassinada pelo próprio pai, que de seguida se suicidou), rematou com outra: encontrado morto numa pedreira do Rio, nunca se conseguiu apurar a causa da morte (suicídio ou crime?).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

À Espera – Batista Cepelos

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 1:18 am
photo: Waiting at the pier – Stephen Rosenfeld

Com sua voz assustadinha e doce,
doce como um trinar de passarinho,
ela me disse que esperá-la fosse,
fosse esperá-la à beira do caminho.

Mas o tempo da espera prolongou-se,
prolongou-se demais! E, então, sozinho,
passei o dia. Veio a tarde e trouxe,
trouxe arrulhos de amor, de ninho em ninho.

Desespero. O silêncio me tortura.
Mas, de repente, alvoroçado, escuto
um farfalhar de folhas na espessura.

Ela chega e tão linda, de maneira
que só para gozar este minuto
eu a esperaria a minha vida inteira.

Manuel Batista Cepelos nasceu em Cotia (SP) a 10 de Dezembro de 1872 e morreu no Rio de Janeiro a 8 de Maio de 1915. Alistou-se no Corpo Policial Permanente de São Paulo e foi promovido a alferes em 1891, ano em que a corporação foi extinta, ingressando no Exército como tenente e tomando parte na campanha do Paraná, em 1894. Promovido a capitão no ano seguinte, participou na campanha de Canudos (BA), em 1896. Concluída a formatura pela faculdade de Direito (SP) em 1902, obteve a reforma militar, tentando a advocacia e a magistratura e chegando a promotor de Justiça. Jornalista e poeta simbolista, se a sua vida fora ensombrada por uma tragédia (a sua noiva foi assassinada pelo próprio pai, que de seguida se suicidou), rematou com outra: encontrado morto numa pedreira do Rio, nunca se conseguiu apurar a causa da morte (suicídio ou crime?).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

 

A um Sonetista – Batista Cepelos Dezembro 10, 2007

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 8:01 pm
Escultura by
Constantin Brancusi (1876-1957)

Como um bloco de pedra, inanimado e forte,
tens a idéia. Pois bem: trabalha na obra-prima!
E, antes de começar, num sublime transporte,
aguarda a inspiração, que baixa lá de cima…

Depois te quero ver, mais duro que Mavorte,
batendo com o martelo e rilhando com a lima!
E, talhado de rijo, em soberbo recorte,
gire o verso, a cantar, no eixo de ouro da rima…

E que um dia nos venha, extraordinário amigo,
um soneto que vibre, entre clarões dispersos,
levantando o rumor de um campanário antigo…

E, no sumo apogeu das formas desejadas,
grite pelo metal dos seus quatorze versos,
relampagueando ao sol, como quatorze espadas!

Manuel Batista Cepelos (n. em Cotia (SP) a 10 Dez. 1872, m. no Rio de Janeriro a 8 Mai 1915)

in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe

 

A um Sonetista – Batista Cepelos

Filed under: Batista Cepelos,poesia — looking4good @ 8:01 pm
Escultura by
Constantin Brancusi (1876-1957)

Como um bloco de pedra, inanimado e forte,
tens a idéia. Pois bem: trabalha na obra-prima!
E, antes de começar, num sublime transporte,
aguarda a inspiração, que baixa lá de cima…

Depois te quero ver, mais duro que Mavorte,
batendo com o martelo e rilhando com a lima!
E, talhado de rijo, em soberbo recorte,
gire o verso, a cantar, no eixo de ouro da rima…

E que um dia nos venha, extraordinário amigo,
um soneto que vibre, entre clarões dispersos,
levantando o rumor de um campanário antigo…

E, no sumo apogeu das formas desejadas,
grite pelo metal dos seus quatorze versos,
relampagueando ao sol, como quatorze espadas!

Manuel Batista Cepelos (n. em Cotia (SP) a 10 Dez. 1872, m. no Rio de Janeriro a 8 Mai 1915)

in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa – Edições Unicepe