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Pé de Vento … poema infantil de Olegário Mariano que nasceu há 120 anos Março 24, 2009

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 12:54 am
Vento imagem daqui

Ágil, violento,
De copa em copa,
Salta, galopa,
Relincha o vento.

Corcel alado,
Solta as crinas,
Desce às campinas
Desenfreado…

Transpõe barrancas,
Vales, penhascos,
Nas nuvens brancas
Imprime os cascos.

Da terra fura
Fundo as entranhas,
Na noite escura
Galga as montanhas,

Tolda os remansos,
Muda em cachoeiras
As cabeceiras
Dos rios mansos…

Arranca os galhos,
Pelos caminhos,
Deixa em frangalhos
Frondes e ninhos.

De salto em salto.
Revoluteia…
Lambe o planalto,
Dança na areia…

Na amaldiçoada
Força que o agita,
De cambulhada
Se precipita…

Pende o arvoredo
Num murmúrio:
“Meu Deus! Que medo!
Que horror! Que frio!”

Diz um arbusto:
“Por que me levas?
Tremo de susto
Dentro das trevas.”

Uma andorinha,
De asa quebrada:
“Morro sozinha,
Solta na estrada!”

Pobre tropeiro
Se desengana:
“Rolou do outeiro
Minha choupana!”

Vozes de magoas
Despedaçadas
Choram nas águas
E nas ramadas…

Uivam nas furnas
Feras aflitas,
Sob infinitas
Sombras noturnas…

E o vento nessa
Marcha selvagem,
Corta, atravessa,
Rasga a paisagem.

E segue o rumo
Do movimento,
Subindo a prumo
No firmamento,

Até que rola,
No último açoite,
Como uma bola
Dentro da noite…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:

O Conselho das Árvores
O Enterro da Cigarra

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O Conselho das Árvores – Olegário Mariano, na passagem do 50º. aniversário da sua morte Novembro 28, 2008

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 2:21 am

Sofro, luz dos meus olhos, quando dizes
Que a vida não te alenta nem conforta.
Olha o exemplo das árvores felizes
Dentro da solidão da noite morta.

Que lhes importa a dor, que lhes importa
O drama que há no fundo das raízes?
Não sentem quando o vento os ramos corta
E as folhas leva em várias diretrizes?

Que lhes importa a maldição do outono
E os dedos envolventes da garoa,
Se dão sombra às taperas no abandono?!…

Levanta os braços para o firmamento
E canta a vida porque a vida é boa
Mesmo esmagada pelo sofrimento.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu no Recife, Pernambuco a 24 de Março de 1889; morreu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
 

O Conselho das Árvores – Olegário Mariano, na passagem do 50º. aniversário da sua morte

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 2:21 am

Sofro, luz dos meus olhos, quando dizes
Que a vida não te alenta nem conforta.
Olha o exemplo das árvores felizes
Dentro da solidão da noite morta.

Que lhes importa a dor, que lhes importa
O drama que há no fundo das raízes?
Não sentem quando o vento os ramos corta
E as folhas leva em várias diretrizes?

Que lhes importa a maldição do outono
E os dedos envolventes da garoa,
Se dão sombra às taperas no abandono?!…

Levanta os braços para o firmamento
E canta a vida porque a vida é boa
Mesmo esmagada pelo sofrimento.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (nasceu no Recife, Pernambuco a 24 de Março de 1889; morreu no Rio de Janeiro a 28 de Novembro de 1958).

Ler do mesmo autor:
 

O Enterro da Cigarra – Olegário Mariano Março 24, 2008

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 12:51 am
Fonte

As formigas levavam-na… Chovia…
Era o fim… Triste outono fumarento!
Perto, uma fonte, em suave movimento,
cantigas de água trémula carpia.

Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
mais cantadeira, desta freguesia.

Passa o cortejo entre árvores amigas…
Que tristeza nas folhas… que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!…

Pobre cigarra! Quando te levavam,
enquanto chorava a Natureza,
tuas irmãs e tua mãe cantavam…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu no Recife (PE) a 24 de Março de 1889 e veio ainda adolescente para o Rio de Janeiro, onde faleceu a 28 de Novembro de 1958. Notário, deputado, inspector escolar, crítico teatral, secretário de embaixada (Bolívia), ministro plenipotenciário (Portugal, 1940), embaixador em Lisboa (1953/54), foi eleito, em 1938, por morte de Alberto de Oliveira, «príncipe dos poetas brasileiros». Considerado «o poeta das cigarras» (publicara mesmo um livro intitulado «Últimas Cigarras», 1920), os seus versos são fluentes, melancólicos, musicais, evidenciando mais sensibilidade que pensamento.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:
 

O Enterro da Cigarra – Olegário Mariano

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 12:51 am
Fonte
As formigas levavam-na… Chovia…
Era o fim… Triste outono fumarento!
Perto, uma fonte, em suave movimento,
cantigas de água trémula carpia.

Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
mais cantadeira, desta freguesia.

Passa o cortejo entre árvores amigas…
Que tristeza nas folhas… que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!…

Pobre cigarra! Quando te levavam,
enquanto chorava a Natureza,
tuas irmãs e tua mãe cantavam…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu no Recife (PE) a 24 de Março de 1889 e veio ainda adolescente para o Rio de Janeiro, onde faleceu a 28 de Novembro de 1958. Notário, deputado, inspector escolar, crítico teatral, secretário de embaixada (Bolívia), ministro plenipotenciário (Portugal, 1940), embaixador em Lisboa (1953/54), foi eleito, em 1938, por morte de Alberto de Oliveira, «príncipe dos poetas brasileiros». Considerado «o poeta das cigarras» (publicara mesmo um livro intitulado «Últimas Cigarras», 1920), os seus versos são fluentes, melancólicos, musicais, evidenciando mais sensibilidade que pensamento.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:

 

O Enterro da Cigarra – Olegário Mariano

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 12:51 am
Fonte
As formigas levavam-na… Chovia…
Era o fim… Triste outono fumarento!
Perto, uma fonte, em suave movimento,
cantigas de água trémula carpia.

Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
mais cantadeira, desta freguesia.

Passa o cortejo entre árvores amigas…
Que tristeza nas folhas… que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!…

Pobre cigarra! Quando te levavam,
enquanto chorava a Natureza,
tuas irmãs e tua mãe cantavam…

Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu no Recife (PE) a 24 de Março de 1889 e veio ainda adolescente para o Rio de Janeiro, onde faleceu a 28 de Novembro de 1958. Notário, deputado, inspector escolar, crítico teatral, secretário de embaixada (Bolívia), ministro plenipotenciário (Portugal, 1940), embaixador em Lisboa (1953/54), foi eleito, em 1938, por morte de Alberto de Oliveira, «príncipe dos poetas brasileiros». Considerado «o poeta das cigarras» (publicara mesmo um livro intitulado «Últimas Cigarras», 1920), os seus versos são fluentes, melancólicos, musicais, evidenciando mais sensibilidade que pensamento.

Soneto e Nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor:

 

O enamorado das rosas – Olegário Mariano Novembro 28, 2007

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 2:08 am
La femme et les roses – Marc Chagall

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.

Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor, neste blog: O meu retrato ; Almas irmãs