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Poema começado do fim – Adélia Prado Dezembro 13, 2008

Filed under: Adélia Prado,poesia — looking4good @ 4:36 pm
imagem daqui
Um corpo quer outro corpo
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse que você é estúpido
ele diria sou mesmo
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre nossa fragilidade
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade
O Caminho do Céu.

Adélia Luzia Prado Freitas (nasceu em Divinópolis, Minas Gerais em 13 de dezembro de 1935).

Ler da mesma autoria : Pelicano

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Pelicano – Adélia Prado Dezembro 13, 2007

Filed under: Adélia Prado,poesia — looking4good @ 1:48 am

Navio da Armada Portuguesa «Creoula» daqui

Um dia vi um navio de perto.
Por muito tempo olhei-o
com a mesma gula sem pressa com que olho Jonathan:
primeiro as unhas, os dedos, seus nós.
Eu amava o navio.
Oh! eu dizia. Ah, que coisa é um navio!
Ele balançava de leve
como os sedutores meneiam.
À volta de mim busquei pessoas:
olha, olha o navio
e dispus-me a falar do que não sabia
para que enfim tocasse
no onde o que não tem pés
caminha sobre a massa das águas.
Uma noite dessas, antes de me deitar
vi – como vi o navio – um sentimento.
Travada de interjeições, mutismos,
vocativos supremos balbuciei:
Ó Tu! e Ó Vós!
– a garganta doendo por chorar –
Me ocorreu que na escuridão da noite
eu estava poetizada,
um desejo supremo me queria
Ó Misericórdia, eu disse
e pus minha boca no jorro daquele peito.
Ó amor, e me deixei afagar,
a visão esmaecendo-se,
lúcida, ilógica,
verdadeira como um navio.

in Poesia Brasileira do Séc. XX (Dos Modernistas à Actualidade), Jorge Henrique Bastos, Antígona

Adélia Prado (n. Divinópolis, 13 de Dez de 1935, ~).

Ler da mesma autora neste blog: Poema Começado do Fim

 

Pelicano – Adélia Prado

Filed under: Adélia Prado,poesia — looking4good @ 1:48 am

Navio da Armada Portuguesa «Creoula» daqui

Um dia vi um navio de perto.
Por muito tempo olhei-o
com a mesma gula sem pressa com que olho Jonathan:
primeiro as unhas, os dedos, seus nós.
Eu amava o navio.
Oh! eu dizia. Ah, que coisa é um navio!
Ele balançava de leve
como os sedutores meneiam.
À volta de mim busquei pessoas:
olha, olha o navio
e dispus-me a falar do que não sabia
para que enfim tocasse
no onde o que não tem pés
caminha sobre a massa das águas.
Uma noite dessas, antes de me deitar
vi – como vi o navio – um sentimento.
Travada de interjeições, mutismos,
vocativos supremos balbuciei:
Ó Tu! e Ó Vós!
– a garganta doendo por chorar –
Me ocorreu que na escuridão da noite
eu estava poetizada,
um desejo supremo me queria
Ó Misericórdia, eu disse
e pus minha boca no jorro daquele peito.
Ó amor, e me deixei afagar,
a visão esmaecendo-se,
lúcida, ilógica,
verdadeira como um navio.

in Poesia Brasileira do Séc. XX (Dos Modernistas à Actualidade), Jorge Henrique Bastos, Antígona

Adélia Prado (n. Divinópolis, 13 de Dez de 1935, ~).

Ler da mesma autora neste blog: Poema Começado do Fim

 

Pelicano – Adélia Prado

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Navio da Armada Portuguesa «Creoula» daqui

Um dia vi um navio de perto.
Por muito tempo olhei-o
com a mesma gula sem pressa com que olho Jonathan:
primeiro as unhas, os dedos, seus nós.
Eu amava o navio.
Oh! eu dizia. Ah, que coisa é um navio!
Ele balançava de leve
como os sedutores meneiam.
À volta de mim busquei pessoas:
olha, olha o navio
e dispus-me a falar do que não sabia
para que enfim tocasse
no onde o que não tem pés
caminha sobre a massa das águas.
Uma noite dessas, antes de me deitar
vi – como vi o navio – um sentimento.
Travada de interjeições, mutismos,
vocativos supremos balbuciei:
Ó Tu! e Ó Vós!
– a garganta doendo por chorar –
Me ocorreu que na escuridão da noite
eu estava poetizada,
um desejo supremo me queria
Ó Misericórdia, eu disse
e pus minha boca no jorro daquele peito.
Ó amor, e me deixei afagar,
a visão esmaecendo-se,
lúcida, ilógica,
verdadeira como um navio.

in Poesia Brasileira do Séc. XX (Dos Modernistas à Actualidade), Jorge Henrique Bastos, Antígona

Adélia Prado (n. Divinópolis, 13 de Dez de 1935, ~).

Ler da mesma autora neste blog: Poema Começado do Fim

 

Poema Começado do Fim – Adélia Prado Dezembro 13, 2006

Filed under: Adélia Prado,poesia — looking4good @ 5:50 pm

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.

Adélia Prado (n. Divinópolis, 13 de Dez de 1935, ~).