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10 de Junho: Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas Junho 10, 2009

Filed under: José Afonso,Luís de Camões,Musica,poesia — looking4good @ 1:33 am

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís Vaz de Camões (nasceu c. 1524; m. em Lisboa, a 10 de Junho de 1580).

Ler do mesmo autor:
Busque Amor novas artes novos engenhos
Amor, que o gesto humano na alma escreve
Aquela triste e leda madrugada
Mudam-se os tempos mudam-se-as vontades
Amor é um fogo que arde sem se ver
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Alma minha gentil que te partiste

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Musical suggestions of the day Abril 1, 2009

Filed under: Music,Musica — looking4good @ 12:50 am

Rita Coolidge born, May 1, 1945 in Lafayette, Tennessee, USA

Judy Collins [Judith Marjorie Collins] born May 1, 1939 in Seattle, Washington

 

Retrato + Pomba Branca de Vasco dee Lima Couto, na passagem do 29º. aniversário do seu desaparecimento Março 10, 2009

Filed under: Musica,poesia,Vasco de Lima Couto — looking4good @ 1:26 am
foto daqui

Fui só eu que estraguei as alvoradas
– presas suaves nos plúmbeos céus!,
e dei água aos ribeiros da minha alma
e fiz preces de amor e sangue, a Deus…

Fui só eu que, sabendo da tormenta
que o vento da nortada me dizia,
puz meus lábios no sonho incompleto
e rasguei o meu corpo na poesia.

Vieram dar-me abraços e contentes
viram que me afundava sem remédio
– nem um grito subia do horizonte
há mil anos deitado sobre o tédio!

Quando chamaram por mim do imenso rio
que a noite veste para se entreter
vi que os barcos andavam cheios de almas
buscando sonhos para não sofrer.

Cantavam doidas como a dor e a morte
parando, a espaços, para ver montanhas
e eram luzes mordidas pelas sombras,
corajosas, infelizes – mas tamanhas!

Eu fugi de as ouvir (que ardentes vozes…)
de navegar nas mesmas ansiedades
e fui sozinho semear as luas
e a natureza inculta das idades.

Parti, negando à vida o seu direito,
recalcando os meus sonhos e os meus medos…

sei agora que matei o meu destino
e quebrei o futuro nos meus dedos.

Pomba branca, pomba branca
Já perdi o teu voar
Daquela terra distante
Toda coberta pelo mar.

Fui criança e andei descalço
Porque a terra me aquecia
E eram longos os meus olhos
Quando a noite adormecia.

Vinham barcos dos países
E eu sorria de os sonhar
Traziam roupas felizes
As crianças dos países
Nesses barcos a chegar.

Pomba branca, pomba branca
Já perdi o teu voar
Daquela terra distante
Toda coberta pelo mar.

Depois mais tarde ao perder-me
Por ruas de outras cidades
Cantei meu amor ao vento
Porque sentia saudades
Saudades do meu lugar
Do primeiro amor da vida
Desse instante a aproximar
Dos campos, do meu lugar
À chegada e à partida

Vasco de Lima Couto (nasceu no Porto em 26 de Novembro de 1923 – morreu em Lisboa a 10 de Março de 1980)

 

Retrato + Pomba Branca de Vasco dee Lima Couto, na passagem do 29º. aniversário do seu desaparecimento

Filed under: Musica,poesia,Vasco de Lima Couto — looking4good @ 1:26 am
foto daqui

Fui só eu que estraguei as alvoradas
– presas suaves nos plúmbeos céus!,
e dei água aos ribeiros da minha alma
e fiz preces de amor e sangue, a Deus…

Fui só eu que, sabendo da tormenta
que o vento da nortada me dizia,
puz meus lábios no sonho incompleto
e rasguei o meu corpo na poesia.

Vieram dar-me abraços e contentes
viram que me afundava sem remédio
– nem um grito subia do horizonte
há mil anos deitado sobre o tédio!

Quando chamaram por mim do imenso rio
que a noite veste para se entreter
vi que os barcos andavam cheios de almas
buscando sonhos para não sofrer.

Cantavam doidas como a dor e a morte
parando, a espaços, para ver montanhas
e eram luzes mordidas pelas sombras,
corajosas, infelizes – mas tamanhas!

Eu fugi de as ouvir (que ardentes vozes…)
de navegar nas mesmas ansiedades
e fui sozinho semear as luas
e a natureza inculta das idades.

Parti, negando à vida o seu direito,
recalcando os meus sonhos e os meus medos…

sei agora que matei o meu destino
e quebrei o futuro nos meus dedos.

Pomba branca, pomba branca
Já perdi o teu voar
Daquela terra distante
Toda coberta pelo mar.

Fui criança e andei descalço
Porque a terra me aquecia
E eram longos os meus olhos
Quando a noite adormecia.

Vinham barcos dos países
E eu sorria de os sonhar
Traziam roupas felizes
As crianças dos países
Nesses barcos a chegar.

Pomba branca, pomba branca
Já perdi o teu voar
Daquela terra distante
Toda coberta pelo mar.

Depois mais tarde ao perder-me
Por ruas de outras cidades
Cantei meu amor ao vento
Porque sentia saudades
Saudades do meu lugar
Do primeiro amor da vida
Desse instante a aproximar
Dos campos, do meu lugar
À chegada e à partida

Vasco de Lima Couto (nasceu no Porto em 26 de Novembro de 1923 – morreu em Lisboa a 10 de Março de 1980)

 

Musical suggestion of the day – Carinhoso Fevereiro 1, 2009

Filed under: Music,Musica — looking4good @ 2:19 pm

Meu coração, não sei por que
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim

Ah se tu soubesses como sou tão carinhosa
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz

Ah se tu soubesses como sou tão carinhosa
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz

Pixinguinha e João de Barros (Braguinha)

 

Ary dos Santos faleceu há 25 anos Janeiro 18, 2009

Filed under: Ary dos Santos,Carlos do Carmo,Fado,Musica,poesia — looking4good @ 3:15 am
imagem daqui

«Isso mesmo: rasgando o desespero com gritos e com cóleras, juntando a sua voz à voz do imenso protestar colectivo – eis Ary dos Santos: cabotino, espectaculoso, truculento, corajoso como poucos; cabeça alevantada, punho cerrado e erguido, olhar de fogo, a chispa indomável de uma labareda interior que o consumia: E, também; um grande poeta – acentue-se: Um grande poeta português, da linhagem de um Guerra Junqueiro, de um Gomes Leal, de um Cesário Verde ou de um Gabriel Marujo ou de um Linhares Barbosa (porque não?), todos na mesma fileira, todos eles empenhados, de uma maneira ou de outra, em restituir a voz àqueles a quem a voz tinham roubado» (Baptista Bastos daqui).

Carlos do Carmo canta José Carlos Ary dos Santos:

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

Os putos

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

 

Musical suggestion of the day – Camané (on his 42nd anniversary) Dezembro 22, 2008

Filed under: Camane,Fado,Music,Musica — looking4good @ 1:01 am
Ontem foi Carlos do Carmo grande expoente do fado, hoje é Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos, Camané, de outra geração, mas muito apreciado. A propósito da passagem do seu 42º. aniversário deixamos aqui Camané como a sugestão musical do dia em «Sei de um Rio» e «Quadras»