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O enamorado das rosas – Olegário Mariano Novembro 28, 2007

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 2:08 am
La femme et les roses – Marc Chagall

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.

Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor, neste blog: O meu retrato ; Almas irmãs

 

O enamorado das rosas – Olegário Mariano

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La femme et les roses – Marc Chagall

Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

Cada uma tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.

Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor, neste blog: O meu retrato ; Almas irmãs

 

O MEU RETRATO – Olegário Mariano Março 24, 2006

Filed under: Olegário Mariano,poesia — looking4good @ 10:34 am

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Busto de Olegário Mariano em bronze sobre pedestal em granito, na cidade do Rio de Janeiro e que terá sido furtado em 2001. Extraída de www.rio.rj.gov.br

Sou magro, sou comprido, sou bizarro,
Tendo muito de orgulho e de altivez.
Trago a pender dos lábios um cigarro,
Misto de fumo turco e fumo inglês.

Tenho a cara raspada e cor de barro.
Sou talvez meio excêntrico, talvez.
De quando em quando da memória varro
A saudade de alguém que assim me fez.

Amo os cães, amo os pássaros e as flores.
Cultivo a tradição da minha raça
Golpeada de aventuras e de amores.

E assim vivo, desatinado e a esmo.
As poucas sensações da vida escassa
São sensações que nascem de mim mesmo.

Olegário Mariano Carneiro da Cunha (n. no Recife em 24 Mar 1889, m. no Rio de Janeiro, em 28 Nov. 1958)

Ler do mesmo autor Almas Irmãs