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Saudade – António Franco Alexandre Junho 16, 2009

Filed under: António Franco Alrexandre,poesia — looking4good @ 11:51 pm

Tal como és, assim te quero, e sempre
diverso cada dia do que foste;
cada imperfeito gesto que inventares
me fará desejar-te em outro verso.

Da arte do soneto feito mestre
no concurso sem regra da floresta,
na mais pequena folha te descubro
e no caule do vento é que te perco.

Da turva luz já retirei o emblema
que me sirva de rosto permanente
e venha o cabeçalho do poema;

e pedirei à noite que me empreste
um farrapo do manto incandescente
de que se veste, agora, para ter-te.

António Franco Alexandre (nasceu em 17 de Junho de 1944, em Viseu)

 

Jun 17 – World Day to Combat Desertification 2009

Filed under: Day,environment — looking4good @ 11:49 pm
World Day to Combat Desertification 2009 logoThe World Day to Combat Desertification is observed every year on 17 June. It marks the anniversary of the adoption of the United Nations Convention to Combat Desertification and is part of an international campaign by the United Nations to tackle global environmental deterioration, in particular the degradation of drylands. This year’s theme is Conserving land and water = Securing our common future”.

The World Day to Combat Desertification has been observed since 1995 (General Assembly Resolution A/RES/49/1995) to promote public awareness relating to international cooperation to combat desertification and the effects of drought, and the implementation of the UNCCD.

 

On this day in History – Jun 17

Filed under: efemerides,This Day in History — looking4good @ 11:40 pm
 

Casa – David Mourão-Ferreira (no 13º. aniversário da morte do poeta)

Filed under: David Mourão-Ferreira,poesia — looking4good @ 12:14 am

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão…

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

Extraído de Cem Sonetos Portugueses, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

David de Jesus Mourão-Ferreira (n. em Lisboa a 24 Fev. 1927; m. Lisboa a 16 Jun 1996)

Ler do mesmo autor:
E Por Vezes
Nocturno
Paraíso
Ternura
Labirinto
Penelope
Primavera
Equinócio