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Sem vergonha, sem carácter e sem princípios Dezembro 19, 2008

Filed under: Actualidade,opinião,política — looking4good @ 7:54 pm
Tempos depois de ter invadido casa alheia,tempos depois de ter invadido casa alheia, matando, violando, estropiando e roubando, o salteador voltou ao local do crime. Mas como a sua falta de vergonha e dignidade só é ultrapassada pela sua carência de vergonha e dignidade, não foi pedir perdão, devolver os bens espoliados e consertar o que ainda pudesse ter conserto. Sem honra nem moral, foi humilhar ainda mais as vítimas, dizendo-lhes na cara que fez o que fez para seu próprio interesse. Ao acto de indignação de um membro da comunidade ultrajada que lhe arremessou à cabeça os sapatos, comparou-o ao «digitus impudicus» que está habituado a ver ser-lhe exibido nas «fuças» de mentecapto. Confrontado há pouco com os resultados das suas ignóbeis decisões, só soube dizer que se enganou e que não estava preparado para uma guerra, para a qual inventou todos os pretextos!

Amandio Martins

in «Cartas», Jornal de Notícias de 19.12.2008

Pode tentar melhor sorte do que o jornalista iraniano aqui

 

Já um pouco de vento se demora – Vitorino Nemésio (que nasceu faz hoje 107 anos)

Filed under: poesia,Vitorino Nemésio — looking4good @ 3:09 am
Macieira imagem daqui

Já um pouco de vento se demora;
Já sua força vale a de uma mão
Nestes papéis que trago para fora,
Que o campo dá certeza e solidão.

O calor fez a casa mais delgada,
Agora colho a tarde: a vida não.
Sou a macieira carregada:
De palavras a mais cobri o chão.

Árvores há no outono que conhecem
O toque e ardor das folhas de amanhã
E esperando-as, altas, adormecem.
Com espaço e vento nunca a vida é vã.

Eu volto à mão do outono em meus papéis.
Penso e, indiscreto, o ar remove
Estas imagens cruéis
Que a minha vida comove

Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (n. Praia da Vitória, 19 de Dezembro de 1901 — m. Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978)

Ler do mesmo autor:
Outro Testamento
Semântica electrónica
Loa
Concha

 

Gaivota – Alexandre O’Neill (no 84º. aniversário do poeta)

Filed under: Alexandre O'Neill,Carlos do Carmo,Fado,poesia — looking4good @ 1:13 am
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Gaivota

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre Manuel Vahía de Castro O’Neill (n. em Lisboa a 19 de Dez de 1924; m. em 21 de Agosto de 1986)

 

On this day in History – Dec. 19

Filed under: efemerides,This Day in History — looking4good @ 12:56 am