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Eterna Tarde – Alceu Wamosy Setembro 13, 2008

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 12:14 am

Foto: Praça do pôr do sol – Agnaldo Ribeiro daqui

A tarde vai morrer, calma como uma santa,
num êxtase de luz infinito e divino.
Há nas luzes do céu qualquer coisa que canta,
com músicas de cor, a tristeza de um hino.

Tudo, em torno de nós, se esbate e se quebranta.
Em nossos corações, como um dobre de sino,
e esperança agoniza; e a alma, triste, levanta
suas trêmulas mãos para o altar do destino.

Não é somente a tarde, a eterna moribunda,
que vai morrer, e espalha esta mágoa profunda
no nosso olhar, nas nossas mãos, na nossa voz…

É uma outra tarde — que nunca há de ser aurora
como a do céu será amanhã — que morre agora,
triste, dentro de nós…

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 de Fevereiro de 1895 — m. em Santana do Livramento (RS) a 13 de Set. de 1923)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Noturno
Ária Antiga
Duas Almas

 

Eterna Tarde – Alceu Wamosy

Filed under: Alceu Wamosy,poesia — looking4good @ 12:14 am

Foto: Praça do pôr do sol – Agnaldo Ribeiro daqui

A tarde vai morrer, calma como uma santa,
num êxtase de luz infinito e divino.
Há nas luzes do céu qualquer coisa que canta,
com músicas de cor, a tristeza de um hino.

Tudo, em torno de nós, se esbate e se quebranta.
Em nossos corações, como um dobre de sino,
e esperança agoniza; e a alma, triste, levanta
suas trêmulas mãos para o altar do destino.

Não é somente a tarde, a eterna moribunda,
que vai morrer, e espalha esta mágoa profunda
no nosso olhar, nas nossas mãos, na nossa voz…

É uma outra tarde — que nunca há de ser aurora
como a do céu será amanhã — que morre agora,
triste, dentro de nós…

Alceu de Freitas Wamosy (n. em Uruguaiana, Rio Grande do Sul (RS) a 14 de Fevereiro de 1895 — m. em Santana do Livramento (RS) a 13 de Set. de 1923)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Noturno
Ária Antiga
Duas Almas

 

De amor nada mais resta… – Natália Correia

Filed under: Natália Correia,poesia — looking4good @ 12:09 am

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo mistico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

NATÁLIA CORREIA (n. na Ilha de S. Miguel, Açores a 13 Set 1923; m. em Lisboa a 16 Mar 1993)

Ler da mesma autora neste blog:
 

De amor nada mais resta… – Natália Correia

Filed under: Natália Correia,poesia — looking4good @ 12:09 am

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo mistico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

NATÁLIA CORREIA (n. na Ilha de S. Miguel, Açores a 13 Set 1923; m. em Lisboa a 16 Mar 1993)

Ler da mesma autora neste blog:
 

De amor nada mais resta… -Natália Correia

Filed under: Natália Correia,poesia — looking4good @ 12:09 am

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo mistico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

NATÁLIA CORREIA (n. na Ilha de S. Miguel, Açores a 13 Set 1923; m. em Lisboa a 16 Mar 1993)

Ler da mesma autora neste blog: