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Ainda a corrupção desportiva na forma tentada e a presença na Liga dos Campeões… Julho 22, 2008

Filed under: Benfica,FC Porto,Futebol — looking4good @ 6:14 am
Acho muito engraçado certas personalidades muito bem instaladas na vida, com o seu elevado grau de influência nos meios de comunicação social, passarem a mensagem de ilegitimidade e imoralidade da posição do Benfica em querer ver o FC Porto afastado da presença na próxima Liga dos Campeões depois de este clube ter sido condenado por tentativa de corrupção desportiva.

Supostamente esta ilegitimidade e imoralidade assenta no facto de o FC Porto ter ganho este lugar no campo e, assim, o Benfica vir a ser beneficiado de uma coisa para a qual não teve mérito.

Mas meus senhores, afinal o FC Porto foi penalizado com seis pontos e multa, por ter ganho no campo ética e desportivamente falado ou por ter praticado tentativa de corrupção desportiva (da equipa de arbitragem)? Essa tentativa de corrupção afinal era para «ganhar legitimamente no campo»?

Bem prega o Frei Tomás!…

Só para que conste: Comunicado Oficial nº. 211/07-08 da LPFP , de onde se extrai:
«… Comunica-se que a Comissão Disciplinar, nas suas Reuniões Plenárias de 30 de Novembro de 2007, 6 e 7 de Maio de 2008, tomou as seguintes DELIBERAÇÕES:
….
PROCESSO DISCIPLINAR Nº. 41-07/08 (por conversão do P.I. nº. 13-06/07) – sancionar:
1) a «Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD», sociedade desportiva, por estar provada a prática de infracção disciplinar muito grave «corrupção da equipa da arbitragem», p. e p. pelo artigo 51º., nºs 2 e 3, do RD 2003/2004, com referência ao nº. 1, na forma tentada, com as penas de subtracção de três pontos na classificação geral, (ii) derrota no jogo tentado viciar, substituída por multa no montante de € 5.000 (cinco mil euros), nos termos do artigo 37º, nº. 3, do RD de 2003/2004, e multa de € 60.000 (sessenta mil euros);
…..
PROCESSO DISCIPLINAR Nº. 42-07/08 (por conversão do P.I. nº. 13-06/07)- sancionar:
1) a «Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD», sociedade desportiva, por estar provada a prática de infracção disciplinar muito grave «corrupção da equipa da arbitragem», p. e p. pelo artigo 51º, nºs 2 e 3, do RD 2003/2004, com referência ao nº. 1, na forma tentada, com as penas de subtracção de três pontos na classificação geral, (ii) derrota no jogo tentado viciar, substituída por multa no montante de € 5.000 (cinco mil euros), nos termos do artigo 37º, nº. 3, do RD de 2003/2004, e multa de € 80.000 (oitenta mil euros);
…..

Deliberação final dos processos disciplinares nºs 41-07/08 e 42-07/08quanto aos arguidos «Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD» e Jorge Nuno Pinto da Costa – Sancionar:
1) «Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD», sociedade desportiva, na pena única de subtracção de 6 (seis) pontos na classificação geral e multa de 150.000,00 (cento e cinquenta mil euros);
2) Jorge Nuno Pinto da Costa, na pena única de 2 (dois) anos de suspensão para o exercício das funções de dirigente no âmbito das competições desportivas e em multa de € 10.000,00 (dez mil euros). [O Acordão que fundamenta e dá forma a esta Deliberação ér divulgado em anexo no site da LPFP em cumprimento do disposto pelo artigo 47º, nº. 1., al. c), do Decreto-Lei nº. 144/93 de 26 de Abril – Regime Jurídico das Federações Desportivas.] »

Para que conste ainda a FC Porto -Futebol, SAD, não recorreu!

 

Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 1:15 am

Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.


I


Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.


Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!


Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.


E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal...


Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.


A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.


Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.


As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes...
Adejam os milhafres junto ao ninho...
Onde as aguias reaes?


Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.


O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins...
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!


Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—


E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes...


E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão...


E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.


Tres seculos havia... Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


II


A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!


Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,


E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!


Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões


Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse...
E á espada a mão levou!
Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

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Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.


I


Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.


Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!


Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.


E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal...


Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.


A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.


Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.


As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes...
Adejam os milhafres junto ao ninho...
Onde as aguias reaes?


Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.


O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins...
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!


Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—


E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes...


E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão...


E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.


Tres seculos havia... Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


II


A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!


Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,


E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!


Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões


Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse...
E á espada a mão levou!
Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

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Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.


I


Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.


Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!


Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.


E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal...


Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.


A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.


Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.


As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes...
Adejam os milhafres junto ao ninho...
Onde as aguias reaes?


Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.


O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins...
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!


Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—


E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes...


E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão...


E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.


Tres seculos havia... Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.


II


A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!


Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,


E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!


Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões


Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse...
E á espada a mão levou!
Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe – Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Ler do mesmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Joaquim de Araújo nasceu há 150 anos

Filed under: Joaquim de Araújo,poesia — looking4good @ 1:15 am

Estátua de Camões – Praça Luís de Camões, Lisboa Portugal.

AO SENHOR
CONSELHEIRO JOSÉ DIAS FERREIRA

affectuosamente e respeitosamente

o A.

I
Num vozear estridulo e vibrante,
Irrompe a multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.

Vem pagar uma divida sagrada,
E, em francas ovações,
Junto á Estatua de bronze immaculada,
Victoría Camões.

Três seculos havia, a morte escura
Fulminara esse heroe,
Que até na doce paz da sepultura
Tão desgraçado foi!

Três seculos havia. Inenarravel,
Essa agonia atrós:
No catre do hospital, inexoravel,
A Morte, o duro algoz.

E, cá fóra, ao bom Sol, o claro amigo,
Cá fóra do hospital,
Os villões trabalhando no jazigo
Do antigo Portugal…

Um circulo dantesco e pavoroso:
O Genio num covil,
E no triumpho, erguido e magestoso,
O asqueroso reptil.

A Traição galanada: o cru Cinismo
Fingindo de Altivês:
Hiante, escancarado, o fundo abismo
Do nome português.

Não ha na infamia quem se não adestre,
Esmagando tropheus,
Tal como sobre a tunica do Mestre
Jogavam os Judeus.

As Tradições ao vento, ao torvelinho,
A Gloria,—ás bachanaes…
Adejam os milhafres junto ao ninho…
Onde as aguias reaes?

Onde as aguias reaes? Foram seu rumo,
Fugiram da ralé:
—Crestava-lhes a aza o escuro fumo
Do escuro auto-de-fé.

O balsão do Impudor fluctua ao vento,
Nos tragicos festins…
É morta a fina flôr do Sentimento,
Miserrimos chatins!

Dormiam nos seus tumulos augustos,
Ainda alta a cervís
De denodados campeões robustos,
Os infantes de Avís—

E todos os titans, de Gloria trémulos
Outrora, aos vivos soes,
Galgando mundos, continentes,—émulos
Dos primevos heroes…

E a Nação dêsses inclytos herdeira
Ia rojar no chão
A honra intemerata da bandeira,
O invencivel pendão…

E o Poeta-cavalleiro esmorecia,
Ao fim do seu lidar:
Com a Patria morria—se morria!—
Quem tanto a soube amar.

Tres seculos havia… Mas vibrante
Irrompe a Multidão:
Palpita como um hymno triumphante,
Em cada coração.

II

A Patria! a Patria! dá rebate e chama,
Chama por todos nós.
Ha uma corrente electrica que inflamma
Os netos e os avós!

Irrompe a multidão a afiar a espada
Do combate leal,
No pedestal da Estatua immaculada
No eterno pedestal,

E vae cobrir de lucto a grande Imagem
Do heroico luctador,
Como um protesto contra a villanagem
Do estrangeiro rancor!

Mas a Estatua que fora innacessivel
Ás grandes ovações,
Num delirio de pompa indescriptivel,
A estatua de Camões

Animou-se um momento e pela face
O pranto lhe rolou,
Como astro de esperança, que raiasse…
E á espada a mão levou!

Esta ODE foi expressamente composta e recitada pelo autor no sarau da Sociedade Nacional Camoniana, realisado no theatro Gil-Vicente do Palacio de Crystal,aos 10 de junho de 1891, sob a presidencia do ex.mo sr. conde de Samodães,secretarios os ex.mos srs.Tito de Noronha e Almeida Outeiro.

JOAQUIM DE ARAÚJO nasceu em Penafiel a 22 de Julho de 1858 e morreu louco na Casa de Saúde do Telhal (Sintra) a 11 de Maio de 1917. Fez o Curso Superior de Letras (1879). Poeta e erudito, a sua «Lira Íntima» foi publicada em 1881. Cônsul de Portugal em Génova, de 1895 a 1913, parece que foi a paixão não correspondida por uma cidadã austríaca que lhe provocou o desequilíbrio mental.

A nota biobliográfica foi extraída de «A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições

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Ler do msmo autor Ao Ver Essa Criança Adormecida (soneto)
 

Happy birthday – Nina Moric

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On this day in History – Jul 22

Filed under: efemerides,This Day in History — looking4good @ 12:20 am