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Quadras Soltas – Bernardo de Passos Outubro 29, 2007

Filed under: Bernardo de Passos,poesia — looking4good @ 10:00 pm

P’ra mentira ser segura
E atingir profundidade,
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.

O rato mete o focinho
Sem pensar que faz asneira
Depois, ou larga o toucinho,
Ou fica na ratoeira.

Há pessoas muito altas
De nome ilustrado e sério
Porque o oiro tapa as faltas
Da moral e do critério.

Enquanto o homem pensar
Que vale mais que outro homem,
São como os cães a ladrar,
Não deixam comer, nem comem.

Quantas sedas aí vão,
Quantos brancos colarinhos,
São pedacinhos de pão,
Roubados aos pobrezinhos!

Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.

Bernardo Rodrigues de Passos (n. em 29 Out. 1876 em S. Brás de Alportel; m. em Faro a 1 Jul 1930)

Ler do mesmo autor: Soneto

 

One Response to “Quadras Soltas – Bernardo de Passos”

  1. Ana De Passos Says:

    Grande poeta, bem como o irmão e o sobrinho, o meu avô era um grande pintor, pela suas obras não foram ainda bem reconhecidas…. Gostava que sim


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