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Sensações Desconhecidas – João Lúcio Julho 4, 2007

Filed under: João Lúcio,poesia — looking4good @ 12:40 pm
foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira (n. a 4 de Jul 1880 em Olhão; m. 27 de Out. 1918)

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004

 

Sensações Desconhecidas – João Lúcio

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foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira (n. a 4 de Jul 1880 em Olhão; m. 27 de Out. 1918)

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004

 

Sensações Desconhecidas – João Lúcio

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foto: Sol na vidraça

Há tanta sensação que não conheço,
tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.

A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?

Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?

E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira (n. a 4 de Jul 1880 em Olhão; m. 27 de Out. 1918)

in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

Filed under: Cláudio Manuel da Costa,poesia — looking4good @ 6:49 am
foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

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foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

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foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).

 

Soneto XLVI – Cláudio Manuel da Costa

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foto: pássaro

Não vês, Lise, brincar esse menino
Com aquela avezinha? Estende o braço;
Deixa-a fugir; mas apertando o laço,
A condena outra vez ao seu destino?

Nessa mesma figura, eu imagino,
Tens minha liberdade; pois ao passo,
Que cuido, que estou livre do embaraço,
Então me prende mais meu desatino.

Em um contínuo giro o pensamento
Tanto a precipitar-me se encaminha,
Que não vejo onde pare o meu tormento.

Mas fora menos mal esta ânsia minha,
Se me faltasse a mim o entendimento,
Como falta a razão a esta avezinha.

Cláudio Manuel da Costa (n. na Vargem do Itacolomi, atual Mariana, MG a 5 Jun 1729; m. em Vila Rica, actual Ouro Preto, MG, a 4 Jul 1789).