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Champions League – Matchday 4 – Groups A-D Novembro 2, 2005

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 10:26 pm

Group A
Club Brugge 3-2 Rapid
Juventus 2-1 Bayern

1. Juventus 9
2. Bayern 9
3. Brugge 6
4. Rapid 0

Group B
Arsenal 3-0 Sparta
Thun 2-4 Ajax

1. Arsenal 12
2. Ajax 7
3. Thun 3
4. Sparta 1

Group C
W. Bremen 4-3 Udinese
Barcelona 5-0 Panathinaikos

1. Barcelona 10
2. Udinese 4
3. W. Bremen 4
4. Panathinaikos 4

Group D
Benfica 0-1 Villarreal
Lille 1-0 Man. United

1. Villarreal 6
2. Lille 5
3. Man. United 5
4. Benfica 4

 

Benfica derrotado em casa pelo Villarreal

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 9:50 pm
Benfica 0 – 1 Villarreal

Com guarda-redes “improvisados” a corda partiu pelo mais novo…

Com Rui Nereu na baliza do Benfica e Barbosa na de Villarreal ambos as terceiras escolhas das equipas e com Simão no onze titular, apesar das evidentes limitações físicas, foram os espanhóis que entraram melhor no jogo e logo no minuto dois Nélson teve de se aplicar para evitar que Fórlan rematasse à baliza em oposição priveligiada. O jogo decorreu em tom muito tactico com muitas marcações e pouco espaço mas com o Villarreal a circular melhor a bola e a ter a melhor oportunidade quando Fórlan ganhou a Andersson e precipitou-se no remate que saiu ao lado.
Noutra jogada os espanhóis em superioridade ofensiva concluiram com um remate de Riquelme para defesa de Rui Nereu. Pelo lado do Benfica a situação de maior perigo foi ocasionada por uma saída da baliza de Barbosa a despachar a bola contra o corpo de Geovanni com este a rematar (mas de ângulo difícil) a bola para a baliza deserta, mas sem acertar no alvo.
Na segunda parte o Benfica passou a jogar melhor, a ter a iniciativa do jogo, com mais espaço para jogar, mas a carencia de oportunidades mantinha-se. Aos 55′ uma bola metida em profundidade no ataque do Villarreal, Rui Nereu hesita em sair à bola mas no último momento vai tirá-la aos pés de Figueroa que havia entrado pouco antes a substituir Fórlan lesionado.

Logo a seguir Nuno Gomes de cabeça enfia a bola na baliza mas em posição irregular. O Benfica estava melhor, e Nuno Gomes em boa posição atira à figura de Barbosa.

Aos 69′ Koeman mexe na equipa dando mais pendor ofensivo tirando Karagounis e Geovanni para entrarem João Pereira e Mantorras enquanto no minuto seguinte no Villarreal entrava Guayre para sair José Mari. O lado direito do Benfica começa a ter mais espaço e a superioridade na posse de bola passa a ser dos locais.

Porém, aos oitenta minutos, num livre junto ao meio campo a bola é dada num toque ligeiro a Marcos Senna que dá dois passos e remata a 40 metros da baliza do Benfica para …. golo … com o espanto de todos. Um remate defensável com facilidade dava a vantagem aos espanhóis, que a haviam justificado na primeira parte mas que na segunda revelava-se como injusta.

O Benfica carregou nos últimos minutos (entrou ainda Nuno Assis para o lugar de Andersson) e em tempo de desconto uma grande jogada de Léo -foi um dos melhores jogadores encarnados- foi finalizada com um remate que um defensor cortou para fora evitando o empate.

Considerando a vitória do Lille (surpreendente) sobre o Manchester o Benfica passou para último classificado no grupo e tem a vida muito complicada.

 

Amo-te muito, meu amor … – Jorge de Sena

Filed under: Jorge de Sena,poesia — looking4good @ 12:09 pm

Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, amo-te mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.

Que encanto é o teu? Se continua enquanto
sofro a traição dos que, viscosos, prendem,
por uma paz da guerra a que se vendem,
a pura liberdade do meu canto,

um cântico da terra e do seu povo,
nesta invenção da humanidade inteira
que a cada instante há que inventar de novo,

tão quase é coisa ou sucessão que passa…
Que encanto é o teu? Deitado à tua beira,
sei que se rasga, eterno, o véu da Graça.

Jorge de Sena (n. Lisboa 2 Nov. 1919; m. em Santa Bárbara, Califórnia, 4 Jun 1978)

 

A sombra do Tâmega – Teixeira de Pascoaes

Filed under: poesia,Teixeira de Pascoaes — looking4good @ 11:34 am

Rio Tâmega
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www.fotolibera.com

Minha santa janela, onde eu medito
E digo adeus ao sol e falo ao vento…
E saúdo a aurora e leio no Infinito
E sinto, às vezes, um deslumbramento!

Vejo, de ti, a Serra e aquele val’,
Onde aparece a imagem indecisa
Dum rio de águas mortas, espectral,
Que, entre sombrias árvores, desliza.

E vejo erguer-se o rio cristalino,
Transfigurado em sonho ou nevoeiro…
E faz-se eterno espírito divino
Aquele corpo de água prisioneiro.

Ó láctea emanação! Ó névoa densa!
Ó água aberta em asa! Ó água escura!
Água dos fundos pegos, no ar, suspensa,
Vestida, como um Anjo, de brancura!

Água gélida e negra, que te elevas,
Qual fantasma, no Azul, que desfalece!
Ó claro e heróico sol, que vence as trevas,
Porque será que, ao ver-te, empalidece?

Ó água d’além túmulo! Água morta!
Ó água do Outro Mundo! Aparições
De neblina, entre as trevas… Absorta
Paisagem povoada de visões…

E enchendo todo o espaço de esplendores,
De desmaios, de síncopes e mágoas,
Diluindo tudo em místicos alvores,
Ergue-se a sombra lívida das águas…

Quantas vezes, de ti, boa janela,
Eu lhe falo e a interrogo… E, com certeza,
A tua sombra, ó água, é irmã daquela
Que anda em meu coração, e é só tristeza…

Ei-la a pairar na humana solidão
Infinita da noite, quando as cousas
São quimérica e estranha emanação
De silêncios e névoas misteriosas…

Ei-la que paira, ouvindo a voz da lua,
E a voz louca do vento e as ansiedades
Das sombras, que, na terra branca e nua,
Parecem desenhar profundidades…

Ei-la a pairar nas trevas que em nós deixam.
Nas almas e nas pedras da lareira,
Os olhos lacrimosos que se fecham
E dão, em vez de luz, cinza e poeira…

Bem mais do que neste ar, que se respira,
Pairas na minha alma… E com teus dedos
De penumbra, arrebatas minha lira,
Ó Tâmega de sonhos e segredos!

E vais compondo versos de neblina
às árvores do monte, à dura frágua…
Elegias de orvalho à luz divina,
Endeixas de remanso e cantos de água…

E sobes, a voar… E, num sombrio
Gesto de asa, percorres as Alturas!
E molhas minha fronte, aéreo rio;
E, através dela, sonhas e murmuras…

Ó bendita janela, entre aas janelas,
Onde fala comigo a luz do luar,
E a claridade viva das estrelas
Que traz, e sangue, os pés de tanto andar!

Bendita sejas tu, ó sempre aberta
Sobre o meu coração e estes outeiros,
E esta noite fantástica e coberta
De espectros, de visões e nevoeiros!

Teixeira de Pascoaes (Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos), (n. Amarante, 2 de Nov. de 1877 – m. 14 de Dez. de 1952)

 

A sombra do Tâmega – Teixeira de Pascoaes

Filed under: poesia,Teixeira de Pascoaes — looking4good @ 11:34 am
Rio Tâmega
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www.fotolibera.com

Minha santa janela, onde eu medito
E digo adeus ao sol e falo ao vento…
E saúdo a aurora e leio no Infinito
E sinto, às vezes, um deslumbramento!

Vejo, de ti, a Serra e aquele val’,
Onde aparece a imagem indecisa
Dum rio de águas mortas, espectral,
Que, entre sombrias árvores, desliza.

E vejo erguer-se o rio cristalino,
Transfigurado em sonho ou nevoeiro…
E faz-se eterno espírito divino
Aquele corpo de água prisioneiro.

Ó láctea emanação! Ó névoa densa!
Ó água aberta em asa! Ó água escura!
Água dos fundos pegos, no ar, suspensa,
Vestida, como um Anjo, de brancura!

Água gélida e negra, que te elevas,
Qual fantasma, no Azul, que desfalece!
Ó claro e heróico sol, que vence as trevas,
Porque será que, ao ver-te, empalidece?

Ó água d’além túmulo! Água morta!
Ó água do Outro Mundo! Aparições
De neblina, entre as trevas… Absorta
Paisagem povoada de visões…

E enchendo todo o espaço de esplendores,
De desmaios, de síncopes e mágoas,
Diluindo tudo em místicos alvores,
Ergue-se a sombra lívida das águas…

Quantas vezes, de ti, boa janela,
Eu lhe falo e a interrogo… E, com certeza,
A tua sombra, ó água, é irmã daquela
Que anda em meu coração, e é só tristeza…

Ei-la a pairar na humana solidão
Infinita da noite, quando as cousas
São quimérica e estranha emanação
De silêncios e névoas misteriosas…

Ei-la que paira, ouvindo a voz da lua,
E a voz louca do vento e as ansiedades
Das sombras, que, na terra branca e nua,
Parecem desenhar profundidades…

Ei-la a pairar nas trevas que em nós deixam.
Nas almas e nas pedras da lareira,
Os olhos lacrimosos que se fecham
E dão, em vez de luz, cinza e poeira…

Bem mais do que neste ar, que se respira,
Pairas na minha alma… E com teus dedos
De penumbra, arrebatas minha lira,
Ó Tâmega de sonhos e segredos!

E vais compondo versos de neblina
às árvores do monte, à dura frágua…
Elegias de orvalho à luz divina,
Endeixas de remanso e cantos de água…

E sobes, a voar… E, num sombrio
Gesto de asa, percorres as Alturas!
E molhas minha fronte, aéreo rio;
E, através dela, sonhas e murmuras…

Ó bendita janela, entre aas janelas,
Onde fala comigo a luz do luar,
E a claridade viva das estrelas
Que traz, e sangue, os pés de tanto andar!

Bendita sejas tu, ó sempre aberta
Sobre o meu coração e estes outeiros,
E esta noite fantástica e coberta
De espectros, de visões e nevoeiros!

Teixeira de Pascoaes (Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos), (n. Amarante, 2 de Nov. de 1877 – m. 14 de Dez. de 1952)

 

Trecho Final – Mário Pederneiras

Filed under: Mário Pederneiras,poesia — looking4good @ 9:12 am

Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.

Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.

Mário Pederneiras (n. Rio de Janeiro, 2 Nov 1868; m. Rio de Janeiro, 8 Fev 1915)

 

Trecho Final – Mário Pederneiras

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 9:12 am

Meia tinta de cor dos ocasos do Outono
Sonho que uma ilusão sobre a vida nos tece
E perfume sutil de uma folha de trevo,
São, decerto, a feição deste livro que escrevo
Neste ambiente de silêncio e sono
Nesta indolência de quem convalesce.

Meu livro é um jardim na doçura do Outono
E que a sombra amacia
De carinho e de afago
Da luz serena do final do dia;
É um velho jardim dolente e triste
Com um velho local de silêncio e de sono
Já sem luz de verão que o doire e tisne,
Mas onde ainda existe
O orgulho de um Cisne
E a água triste de um Lago.

Mário Pederneiras (n. Rio de Janeiro, 2 Nov 1868; m. Rio de Janeiro, 8 Fev 1915)