Nothingandall

Just another WordPress.com weblog

Aumentem a taxa do IVA Março 18, 2005

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 6:10 pm

Aumentem a taxa do IVA
E as tributações em IRC,
Os preços e taxas da estiva
E regresse a licença da TV.

Corta-se nos benefícios fiscais.
Lá fora aumenta o petróleo;
O que vai acontecer-me mais?
Um imposto sobre o gasóleo…

E então não diminui o IRS?
Não! Ia fomentar o consumo.
Pois é, nem PSD nem PS
Conseguem inverter o rumo.

Aumenta o desemprego,
O preço do arroz e do feijão,
Os passes dos transportes,
E os da carne e do pão.

Não chove? Ração de água,
E aumente-se a electricidade.
Ponha-se o povo à míngua,
Para enriquecer a cidade.

Reforma ? Aumente-se a idade.
As filas de espera e a corrupção
Só não aumenta a produtividade
E assim vai, rindo, a Nação…

Mais imposto automóvel,
Autárquico e do Selo…
Já merecemos um Nobel
por tanto apanhar no pelo.

Looking4good 18.03.2005

 

AO CAIR DAS FOLHAS

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 11:32 am

À minha irmã Maria da Glória

Pudessem suas mãos cobrir meu rosto,
Fechar-me os olhos e compor-me o leito,
Quando, sequinho, as mãos em cruz no peito,
Eu me for viajar para o Sol-posto.

De modo que me faça bom encosto,
O travesseiro comporá com jeito,
E eu tão feliz! por nãio estar afeito,
Hei-se sorrir, Senhor! quase com gosto.

Até com gosto, sim! Que faz quem vive
Órfão de mimos, viúvo de esperanças,
Solteiro de venturas, que não tive?

Assim, irei dormir com as crianças
Quase como elas, quase sem pecados…
E acabarão enfim os meus cuidados.

Clavadel, Outubro, 1895

António Nobre

 

A Leão XIII – António Nobre

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 10:24 am

Ó Padre Santo! Meu Irmão! Ó meu amigo
Do velho mundo antigo
– Dá-me consolação, e prova-me que há Deus;
Resolve-me a equação estrelada dos céus;
Admite-me ao Conselho amigo dos Cardeais:
Deixa-me ler, também, na letra dos missais!
Muito que te contar! Não conheces o mundo?
Nunca desceste, Padre!, a esse poço profundo?
Metido nessa cela ideal do Vaticano,
Há quanto tempo tu não vês o Oceano?
Nunca viste um bordel! Sabes o que é a desgraça?
Ouviste, acaso, o “pschut”! delas, a quem passa?
Sabes que existem, dize, as casas de penhores?
No teu palácio, há,porventura, amores?
Viste passar, acaso um bêbado, na rua?
Já viste o efeito que na lama imprime a lua?
Ouve: tiveste já torturas de dinheiro?
Já viste um brigue no mar? Já viste um marinheiro?
Que ideias fazes tu das crenças dos rapazes?
Já viste alguém novo, Padre? Que ideias fazes,
Santo Leão!, do Boulevard dos Italianos?
Recordas com saudade os teus vinte e três anos?
Ó Leão XIII! Ó Poeta, essa é a minha idade!
Como tu vês, estou na flor da mocidade!
Ainda não contei metade de cinquenta.
Começa-me a nascer a barba, o mundo tenta
A minha alma: ah como é lindo esse Demónio!
Nasci em Portugal. Chamo-me António;
Tenho sido um infeliz…
Um vento de desgraça, atirou-me a Paris.
Em pequenino, Padre, ajoelhado na cama,
A erguer as mãos a Deus, ensinou-me a minha ama;
Sabia de cor mil e trezentas orações,
Mas tudo esqueci no mundo aos trambolhões…
Nossa Senhora te dirá se isto é assim!

-O que há-de ser de mim?

António Nobre
 

Ladainha – António Nobre

Filed under: António Nobre,poesia — looking4good @ 10:19 am

Teu coração dentro do meu descansa,
Teu coração, desde que lá entrou
Tem tão bom dormir essa criança,
Deitou-se, ali caiu, ali ficou.

Dorme, menino! Dorme … dorme…
O que te importa o que no mundo vai?
Ao acordares desse sono enorme
Tu julgarás que se passou num ai.

Dorme, criança! Dorme sossegada,
Teus sonos brancos ainda por abrir:
Depois, a morte não te custa nada,
Porque a ela te habituaste a dormir…

Dorme, meu anjo ( a noite é tão comprida)
Que doces sonhos tu não hás-de Ter!
Assim, com o hábito de os Ter na vida
Continuarás depois de falecer….

Dorme, meu filho! Cheio de sossego
Esquece-te de tudo e até de mim.
Depois… de olhos fechados, és um cego,
Tu nada vês, meu filho e antes assim.

Dorme os teus sonhos, dorme e não mos digas,
Dorme, filhinho! Dorme, dorme “ó-ó”….
Dorme, a minha alma canta-te cantigas
Que ela é velhinha como a tua avó!

Nenhuma ama tem um pequenino
Tão bom, tão meigo; que feliz eu sou!
E tem tão bom dormir esse menino…
Deitou-se, ali caiu, ali ficou.

António Nobre

 

Faz hoje 105 anos que morreu António Nobre

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 9:53 am
António Pereira Nobre nasceu em 16 de Agosto de 1867, na cidade do Porto. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, indo depois para Paris, onde se licencou em Ciências Políticas no ano de 1895 e foi influenciado pelas novas tendencias da poesia. Viajou com freqüência, procurando climas melhores para sua saúde.Tornou-se a figura dominante do grupo da Boémia Nova (1889). Ingressou na carreira diplomática. A sua poesia manifesta rica musicalidade rítmica e linguagem com um falar quotidiano e coloquial, além do pessimismo. Exaltou a vida provinciana do norte de Portugal, por influência de Garrett e de Júlio Dinis.
Publicou apenas um livro de poesias , “Só”, cuja primeira edição apareceu em Paris, em 1892. Depois de sua morte foram publicados mais dois volumes de versos: “Despedidas” e “Primeiros Versos” e ainda «Cartas e Bilhetes-Postais a Justino de Montalvão», e «Correspondência». A sua obra integra-se na corrente simbolista e reflecte o seu temperamento contemplativo e pessimista. Morreu em 18 de Março de 1900, também no Porto (Foz do Douro) vítima de tuberculose.
Na toponímica do Porto tem uma rua de seu nome e em Leça da Palmeira é famoso o monumento a si dedicado da autoria de Sisa Vieira (1980).

Considerando esta efeméride acho oportuno divulgar aqui neste blog alguns poemas de António Nobre:
A Leão XIII
Ao Cair das Folhas
Ladainha

 

On this day in History – Mar. 18

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 1:34 am
 

On this day in History – Mar. 18

Filed under: Uncategorized — looking4good @ 1:34 am