Este perfume intenso de tua carne
não é nada mais do que o mundo que deslocam e movem
os globos azuis de teus olhos
e a terra e os rios azuis das veias que aprisionam teus braços.
Há todas as laranjas redondas em teu beijo de angústia
sacrificado à beira de um horto em que a vida se suspendeu por
todos os séculos da minha.
Que distante era o ar infinito que encheu nossos peitos.
Arranquei-te da terra pelas raízes ébrias de tuas mãos
e bebi-te todo, oh fruto perfeito e delicioso!
Já sempre quando o sol apalpe a minha carne
sentirei o rude contacto da tua
nascida na frescura de uma alva inesperada,
nutrida na carícia de teus rios claros e puros como o teu abraço,
volta doce no vento que nas tardes
vem das montanhas para o teu hálito,
madura no sol de teus dezoito anos,
cálida para mim que a esperava.
Trad. de João Bento
in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim
Salvador Novo López (m. cidade de México, México 30 Jul 1904 – m. 13 Jan. 1974).
Ler do mesmo autor neste blog Amor

