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Ficam as Sombras – Miguel Torga Janeiro 17, 2009

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 2:11 pm

No 14º aniversário da morte do poeta

Não. Não podeis levar tudo.
Depois do corpo,
E da alma,
E do nome,
E da terra da própria sepultura,
Fica a memória de uma criatura
Que viveu,
E sofreu,
E cantou,
E nunca se dobrou
À dura tirania que o venceu.

Fica dentro de vós a consciência
De que ali onde o mundo é mais vazio
Havia um homem.
E sabeis que se comem
Os frutos acres da recordação…

Fantasmas invisíveis que atormentam
O sono leve dos que se alimentam
Da liberdade de qualquer irmão.

in Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; m. em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Sei um ninho; Queixa; Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo;

Links externos:
Biografia em www.bib-arganil.org
Biografia em Vidas Lusófonas

fotografia de Miguel Torga

 

Queixa – Miguel Torga Agosto 21, 2008

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 11:44 pm


Coimbra, 22 de Agosto de 1988

Vida!
Que te pedi a mais
Que um mortal não mereça?
Ou queres que nenhum filho
Conheça
A plenitude?
Pude
O que me consentiste.
Mas vou triste
Do mundo.
Cavei,
Cavei,
E abri um poço sem chegar ao fundo.

Miguel Torga in Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

 

Queixa – Miguel Torga Agosto 21, 2008

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 11:44 pm


Coimbra, 22 de Agosto de 1988

Vida!
Que te pedi a mais
Que um mortal não mereça?
Ou queres que nenhum filho
Conheça
A plenitude?
Pude
O que me consentiste.
Mas vou triste
Do mundo.
Cavei,
Cavei,
E abri um poço sem chegar ao fundo.

Miguel Torga in Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

 

Nasce Miguel Torga Agosto 12, 2008

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 6:27 pm

Se fosse vivo, o escritor Miguel Torga, nortenho de ‘bom coração e boa conversa’, celebrava neste dia 101 anos.

Sei Um Ninho

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…

 

Nasce Miguel Torga Agosto 12, 2008

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 6:27 pm

Se fosse vivo, o escritor Miguel Torga, nortenho de ‘bom coração e boa conversa’, celebrava neste dia 101 anos.

Sei Um Ninho

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar…

 

Depoimento – Miguel Torga Janeiro 17, 2008

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 1:27 am
Abaporu – 1928 by
Tarsila do Amaral (n. 1886; m. 17 Jan. 1973).

Na passagem do 13º. aniversário do poeta:

Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
entre os rochedos onde se desfaz.

Mas o céu era belo
quando à noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.

Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.

in Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; m. em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995).

Ler do mesmo autor, neste blog:

Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo;

Links externos:
Biografia em www.bib-arganil.org
Biografia em Vidas Lusófonas

fotografia de Miguel Torga

 

Depoimento – Miguel Torga Janeiro 17, 2008

Filed under: Miguel Torga,poesia — looking4good @ 1:27 am
Abaporu – 1928 by
Tarsila do Amaral (n. 1886; m. 17 Jan. 1973).

Na passagem do 13º. aniversário do poeta:

Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
entre os rochedos onde se desfaz.

Mas o céu era belo
quando à noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.

Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.

in Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; m. em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995).

Ler do mesmo autor, neste blog:

Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo;

Links externos:
Biografia em www.bib-arganil.org
Biografia em Vidas Lusófonas

fotografia de Miguel Torga

 

Depoimento – Miguel Torga Janeiro 17, 2008

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Abaporu – 1928 by
Tarsila do Amaral (n. 1886; m. 17 Jan. 1973).

Na passagem do 13º. aniversário do poeta:

Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
entre os rochedos onde se desfaz.

Mas o céu era belo
quando à noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.

Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.

in Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; m. em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995).

Ler do mesmo autor, neste blog:

Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo;

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Depoimento – Miguel Torga Janeiro 17, 2008

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Abaporu – 1928 by
Tarsila do Amaral (n. 1886; m. 17 Jan. 1973).

Na passagem do 13º. aniversário do poeta:

Foi na vida real como nos sonhos:
nunca pisei um chão com segurança.
Procuro na lembrança
um sólido caminho percorrido,
e vejo sempre um barco sacudido
pelas ondas raivosas do destino:
Um barco inconsciente de menino,
um barco temerário de rapaz,
e um barco de homem, que já não domino
entre os rochedos onde se desfaz.

Mas o céu era belo
quando à noite o seu dono o acendia;
e era belo o sorriso da poesia,
e belo o amor, dragão insatisfeito.
E era belo não ter dentro do peito
nem medo, nem remorsos, nem vaidade.

Por isso digo que valeu a pena
a dura realidade
desta viagem trágico-terrena
sempre batida pela tempestade.

in Miguel Torga, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote

Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; m. em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995).

Ler do mesmo autor, neste blog:

Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo;

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fotografia de Miguel Torga

 

Hoje Ago 12 – Centenário do Nascimento de Miguel Torga Agosto 12, 2007

Filed under: efemerides,Miguel Torga,poesia — looking4good @ 4:09 am

«Ser livre é um imperativo que não passa pela definição de nenhum estatuto. Não é um dote, é um Dom» (Miguel Torga)

Na data da efeméride do centenário do nascimento falecimento de um dos maiores escritores portugueses de sempre (e um dos que mais gosto) não podia deixar em claro este facto. Recordo-me da inquietude com que eu ficava perante a sua humildade e simplicidade, transmitida nas poucas entrevistas que dava.

Miguel Torga, médico de profissão e transmontano, foi um escritor muito premiado: entre outros recebeu o Grande Prémio Internacional de Poesia Knokke-Heist em 1976. Em 1980 partilhou com Carlos Drummond de Andrade, o “Prémio Morgado de Mateus. Em 10 de Março de 1981, recebe o Prémio Montaigne, atribuído pela Fundação F.V.S. de Hamburgo (Alemanha) e o Prémio Camões – o maior galardão da lusofonia – foi-lhe atribuído em 1989. Em 1991 recebeu “Prémio Personalidade do Ano” e, no ano seguinte, o prémio “Vida Literária” da Associação Portuguesa de Escritores, na sua primeira atribuição. Faltou-lhe um «É um escândalo que nunca tenha havido um galardoado de Portugal com o Prémio Nobel (da Literatura). Esse prémio deveria ser para Miguel Torga» (disse Jorge Amado). Mais tarde veio a ser atribuido, como se sabe, a José Saramago.

Já coloquei neste espaço vários poemas de Miguel Torga, cuja obra está, aliás está para além da poesia: escreveu ficção (em que destaco Pão Ázimo, Bichos, Contos da Montanha, Novos Contos da Montanha…) e até teatro.

Deixo aqui mais um:

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria…
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) (n. em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907 ; m. em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995).

Ler do mesmo autor, neste blog:

Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo;

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fotografia de Miguel Torga
 

 
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