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O amor que sinto – José Gomes Ferreira Junho 9, 2009

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 1:15 am
Labirinto Labirinto imagem daqui

O amor que sinto
É um labirinto.

Nele me perdi
com o coração
cheio de ter fome
do mundo e de ti
(sabes o teu nome),
sombra necessária
de um Sol que não vejo,
onde cabe o pária,
a Revolução
e a Reforma Agrária
sonho do Alentejo.
Só assim me pinto
neste Amor que sinto.

Amor que me fere,
chame-se mulher,
onda de veludo,
pátria mal-amada,
chame-se “amar nada”
chame-se “amar tudo”.

E porque não minto
sou um labirinto.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Recordando José Gomes Ferreira que faleceu há 24 anos Fevereiro 8, 2009

Filed under: José Gomes Ferreira,morte,poesia — looking4good @ 3:45 am

Um dia virás, hora doce e calma
sem as espadas dolorosas
que me sangram a alma
quando cismo…

Eu que até nas rosas
procuro um abismo.

************

Vive em cada minuto
a tua eternidade
- sem luto
nem saudade.

Vive-a, pleno e forte,
num frenesim
de arremesso.

Para que a tua morte
seja sempre um fim
e nunca um começo

in Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, Um Panorama, Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno Lacerda Editores

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Não Choro – José Gomes Ferreira Junho 9, 2008

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 12:29 pm

A dor não me pertence.

Vive fora de mim, na natureza,
livre como a eletricidade.

Carrega os céus de sombra,
entra nas plantas,
desfaz as flores…

Corre nas veias do ar,
atrai nos abismos,
curva os pinheiros…

E em certos momentos de penumbra
iguala-me à paisagem,
surge nos meus olhos
presa a um pássaro a morrer
no céu indiferente.

Mas não choro. Não vale a pena!
A dor não é humana.

extraído de Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

José Gomes Ferreira (nasceu no Porto em 9 Jun 1900; m. 1985),

 

Dá-me a tua mão – José Gomes Ferreira Fevereiro 8, 2008

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 12:49 am
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Dá-me a tua mão

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.
Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

in Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, organização e prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

Ler do mesmo autor:
 

Chove… – José Gomes Ferreira Junho 9, 2007

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 2:13 pm
photo: Raining (chuva)

Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Chove… – José Gomes Ferreira Junho 9, 2007

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 2:13 pm
photo: Raining (chuva)

Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Chove… – José Gomes Ferreira Junho 9, 2007

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 2:13 pm
photo: Raining (chuva)

Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Chove… – José Gomes Ferreira Junho 9, 2007

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 2:13 pm
photo: Raining (chuva)

Chove…

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove…

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Porque é que este sonho… – José Gomes Ferreira Fevereiro 8, 2007

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 2:13 am

Porque é que este sonho absurdo
a que chamam realidade
não me obedece como os outros
que trago na cabeça?

Eis a grande raiva!
Misturem-na com rosas
e chamem-lhe vida.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

Ler do mesmo autor:

 

Álbum / XII – José Gomes Ferreira Junho 9, 2006

Filed under: José Gomes Ferreira,poesia — looking4good @ 11:44 am

Todos nascemos nus
– condição dos vermes,
dos punhais
e da luz.

Os filhos só têm a mais
o terror das diferenças
das mães a vesti-los com os braços
-destinos feios
de mijo a chorar nas rendas
e violinos em trapos.

Todos nascemos nus
-condição dos seios,
das açucenas
e dos sapos.

Mas até os seios das mães
São diferentes.
Uns cheiram a sedas quentas,
Outros, a urina de cães.

Bem. Agora devia sofrer
Cuspir nos espelhos
Dos remorsos.
E esbofetear o céu
Com gritos de mãos de ossos.

Mas não. Sorrio.
Todos nascemos nus
-condição dos mortos
despidos pelo frio.

José Gomes Ferreira (n. no Porto a 9 Jun 1900, m. 8 Fev 1985)

In “Urbano Tavares Rodrigues : os poemas da minha vida” – Público- 2ª. Edição Junho de 2005

Ler do mesmo autor:

 

 
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