numa rubra explosão hilariante de cores:
pelo Mondego azul, passam barcos à vara,
onde, a cantarolar, avisto os Pescadores.
Do céu pérola, onde há uns laivos purpurinos,
cai uma doce luz, pacífica, serena…
Os choupos cortam no ar uns rendilhados finos,
transparentes, subtis, como um desenho à pena.
E, enquanto a Lua vem branqueando no horizonte,
o comboio, a correr, passa na velha ponte,
surge de entre um maciço escuro de salgueiros.
E eu, tristemente, como um solitário monge,
lembro a Pátria, a Família, os meus Amigos longe
e, com saudade, agito o lenço aos passageiros!
Alberto de Oliveira nasceu no Porto a 16 de Novembro de 1873 e aí se finou a 23 de Abril de 1940. Formado em Direito por Coimbra, conviveu intimamente com António Nobre. Enveredou pela carreira diplomática e foi cônsul em Tânger (1896), encarregado de negócios em Berna (1902), Haia (1907), Dublin, Rio de Janeiro (1913), Havre (1914), Buenos Aires, Montevideu, Santiago do Chile, Bruxelas (1926), Roma (1929), Vaticano (1934) e Londres (1935). Começou por propagandear, em prosa, o lusitanismo ou neo-garrettismo em «Palavras Loucas» (1894) e acabou a exaltar, em verso, o Duce, Salazar e a M. P.

